sábado, 19 de maio de 2012

Nova entrevista de John em livro que será lançado

Um livro com um título imenso, Feeding Back: Conversations with Alternative Guitarists from Proto-Punk to Post-Rock (Feeding Back: Conversas com Guitarristas Alternativos do Proto-Punk até o Post-Rock), de David Todd, será lançado no dia 1º de junho e contém 25 entrevistas com guitarristas que não tem medo de empurrar os limites, serem ousados, quebrarem as regras, e arrumarem novas invenções e inovações.

Naturalmente, John Frusciante é uma dessas pessoas e seu capítulo é entitulado The Radiant Guitarist (O Guitarrista Radiante).
Aqui está uma pergunta da entrevista, que foi realizada aproximadamente na segunda metade de 2009, o que faz ser a entrevista mais recente de John.  


David Todd: Minha outra pergunta randômica é sobre o Niandra Lades. Eu ouvi dizerem que de alguma maneira você repudiou este álbum. É verdade?

John Frusciante: Não. Eu o acho um álbum brilhante, eu nunca diria uma coisa dessas. Eu tirei meu segundo álbum das vendas. E não foi porque eu não gostava dele, foi porque aquilo simplesmente assustava demais as pessoas, e naquela época eu me via fazendo mais álbuns, então queria começar do zero de novo. Eu não queria que as pessoas tivessem medo de mim (gargalhadas). Hoje, não faz nenhuma diferença pra mim o que as pessoas pensam, mas eu ainda não poderia lançar algo apenas por lançar, sabe? Só lanço algo quando me sinto pronto pra deixar aquilo ir. Esses dois primeiros álbuns solo foram uma coisa muito natural, e eram muito significativos para mim e meus amigos quando os fiz. Eu os fiz decidido: "Não vou lançar essas músicas", e foi muito chocante, nos dois casos, como meu sentimento sobre eles mudou como resultado de deixar aquilo entrar na consciência das pessoas. Gradualmente, depois de 20 anos fazendo música para o público, consegui uma relação saudável com as coisas, então sei como não deixar as pessoas pisarem no que eu fiz. Como em meu último álbum, que o lancei algum tempo depois de estar finalizado, porque eu estava me divertindo sentando com meus amigos e ouvindo aquilo.
Não quero abandonar isso, então quando tudo parece correr bem, é hora de deixar outras pessoas terem contato com isso.
Mas, sabe? Isso acontece com várias pessoas, como Captain Beefheart, que entrou numa direção louca quando fez aqueles discos pobres, diretos e comerciais e eu me lembro que a frase era que ele estava cansado de assustar as pessoas, sabe? E, infelizmente, isso faz parte do ser humano. Não acho que o artista deve ser guiado pela opinião do público, acho que expressar o que tem que ser expressado deveria ser nosso dever. Mas é algo que eu luto contra, pois a diferença entre fazer música pra você e fazer música com o propósito de lançar é que o público adiciona esse nível de intensidade, esse sentimento de vida-ou-morte que você não teria se estivesse sentado no seu quarto. Mas acho que, em geral, se você pensa na música como uma entidade viva, as coisas que deveriam fazer haver uma motivação e um crescimento - se pensarmos na música como forma artística de amadurecer - serão internas o bastante para lidarem com a sua própria relação com a força criativa do universo e, assim, acaba não havendo nada para se fazer quanto ao que as pessoas irão pensar.  

DECLARAÇÃO EXCLUSIVA DE DAVID TODD PARA OS LEITORES DO I-M.net.
 

Para este livro, quis entrevistar John Frusciante como um inventivo, conhecedor enciclopédico e versátil pensador da guitarra - o cara que lida com as capacidades criativas do instrumento e com a forma rock - e não necessariamente como o renomado guitarrista do RHCP. Adoro o trabalho de John com os Chili Peppers, mas esta entrevista é largamente sobre seus álbuns solo e seu ponto de vista como artista. (As perguntas e respostas tocam bastante o seu primeiro álbum, que ainda acho incrível). O livro é sobre uma linhagem de guitarra underground que contém a tradição de "heróis" do mainstream, e o que faz Frusciante único é que ele pode cair hipoteticamente em qualquer um dos dois campos. A maneira em que ele regressa e avança entre possibilidades e papéis é outra razão que o faz encaixar no tema da coisa - o livro é sobre procuras. Musicais ou não. 

Não quero ser linha dura sobre a ideia de um movimento (invisível?) informal de guitarristas, apenas para aproveitar a conversa que toma lugar com pessoas como John Frusciante, Michael Rother e Keith Levene. A ideia dessas conexões é de ser mais iluminadora do que limitadora. John mencionou que já pensou em escrever algo similar a este livro, com sua própria lista de "anti-herois" da guitarra. (Para os fãs de JF: eu o encorajei a fazer isso. Sem sucesso). Comentários como esse fizeram eu sentir que não estava no caminho errado com ele. 

No livro, uso o termo "resistant virtuosos" (virtuosos resistentes) para pessoas como John Frusciante e Tom Verlaine do Television. (Não coincidentemente, Tom sofre direta influência de John). Esses caras tem todos os truques e técnicas de "guitar gods", mas suas mentes estão totalmente voltadas para direções sutis e vanguardistas. Há outros meios dos guitarristas do livro serem vistos, mas nesse sentido John e Tom estão entre os melhores deles. 

A entrevista aconteceu cerca de seis meses após o lançamento de The Empyrean, quando o livro ainda estava em estágios iniciantes de desenvolvimento. Uma coisa que definitivamente percebi foi que John era cauteloso sobre ser comercializado, que é uma coisa que nunca tive intenção de fazer, da forma alguma. Eu introduzi a entrevista para os entrevistados como uma fonte de conhecimento alternativo. Meu objetivo era capturar as lições criativas e de vida que eles acumularam por todo o caminho, o que pra eles foi um teste de limites sobre falar sobre sucessos/falhas em suas inovações. Esse é outro motivo que John é um excelente entrevistado para os meus propósitos, pois, como seus fãs sabem, ele está sempre aprendendo, trabalhando e questionando. 

Obrigado por lerem. Espero que gostem da entrevista com o John e o resto do livro. 
David Todd.

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